Samba que protege – O Pavilhão das Mulheres

Projeto Samba que Protege

Desde os primeiros desfiles, as mulheres estiveram presentes em cada detalhe — costurando fantasias, bordando adereços, defendendo o pavilhão como porta-bandeiras e brilhando como passistas. Hoje, elas também estão nas comissões de frente como componentes ou como coreógrafas, comandam alas, dirigem escolas e ocupam espaços de liderança. É nesse cenário que nasce o projeto “Samba que Protege”, da Liga SP, em parceria com a UESP, como um gesto de cuidado e reconhecimento para as mulheres no carnaval de São Paulo. A UESP, inclusive, já possui o Departamento da Mulher, criado para fortalecer sambistas e combater a violência, mostrando que a luta feminina no carnaval é contínua e cada vez mais estruturada.

Adriana Gomes, representante da Liga SP, falou com emoção sobre a iniciativa:

“Esse trabalho é pra o entendimento das próprias mulheres que elas têm caminho, recurso e poder. Agora o meu pavilhão são as mulheres!” Ela ressaltou que o projeto não se limita a palestras, mas envolve a criação de núcleos de apoio com advogadas, psicólogas e médicas das próprias comunidades. Para Adriana, proteger as mulheres é proteger o próprio samba.

Já Regiane Ferreira, da UESP, lembrou que o projeto foi lançado no Dia Internacional da Mulher e tem caráter itinerante:

“Unidas vamos poder salvar vidas, não só das mulheres do samba. O corpo da mulher é objetificado, mas sem a mulher talvez o carnaval não existisse. É uma troca: proteger quem sempre protegeu o carnaval.” Ela defendeu ações práticas como panfletagem, faixas e até blocos contra o feminicídio. Como pedagoga, reforçou a necessidade de educar meninos e meninas desde cedo para romper ciclos de violência.

O “Samba que Protege” não é apenas uma iniciativa social: é um símbolo de que o carnaval pode ser espaço de transformação. Em um país onde feminicídios ainda são alarmantes, ver Liga SP e UESP unidas nessa causa é sinal de esperança. O corpo da mulher, tantas vezes objetificado nos desfiles, agora ganha uma rede de proteção. E o samba, que sempre teve a mulher como guardiã, reafirma: sem ela, não há carnaval!

Texto: Redação Comissões de Frente SP | Foto: Equipe de reportagem Comissões de Frente SP

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

doze − 6 =